E o que me resta, se não calar
já que você diz que minha boca pra nada presta?
E o que me resta se não chorar
já que meus olhos não conseguem enchergar a verdade?
Duras pedras em meu caminho. Elas não são ilusão.
Doces ventos do Norte. Eles me conduzirão.
E a coroa que um dia eu levava no topo do meu ego
agora caí, e se parte em tantos pedaços quanto as estrelas do céu.
O véu da noite escura vem suave como a virgem,
barulhando as finas teias de encantamentos.
Tecendo milhares de desejos.
Fazendo milhares de amores.
Todos acorrentados a um destino simples, porém perfeito.
Destinos que escorrem em um peito pálido, cálido.
E se acomodam em um cálice cintilante,
pra dali sairem sem destino.
Buscando suas vítimas. Uma a uma.
E então o que resta?
Não nos resta nada.
Nem um pingo de esperança.
Carla Kindermann
