quinta-feira, 3 de maio de 2007

Seguindo...




E que o tempo cure
As coisas ruins que acontecem nas nossas vidas..   
Q a noite chegue mais rápido e o sol ilumine cada vez mais.
Ultrapassar os obstáculos sem medo do q vem em frente
Levar até o fim meus objetivos ou pelo menos chegar perto da felicidade
Posso tentar ter o que eu quiser
Viver de cabeça erguida
Nada por ser tão fatal assim
Porque nem sempre é como queremos
Ou talvez nunca será
Mais q alguma vez daqui a horas, dias, ou anos..
Eu possa falar, eu possa ter certeza
Que a felicidade chegou na minha porta!
.
.
.
Mayra Lima


E toda noite as mesmas palavras,

sinônimos de solidão, de desespero.

E toda noite eu te consolava,

cantava e chorava em teu colo.

Toda noite, mesmo lugar,

Sempre sozinhos, eu e você.

Toda noite, toda noite...

Até você partir.



Carla Kindermann

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Dimensão





Sinto-me na solidão
No meio da escuridão
Procurando um caminho a seguir
Pensamentos confusos
Sentimentos intrusos
Entrando em colapso com a minha mente
A solução esta distante
A vontade é incessante
Meus olhos procuram à vitalidade
Afundando no mar da ilusão
O conflito invade meu coração
Já não me conheço mais
ento voltar a tona
Mas a verdade me abandona
Queria sumir deste mundo
As respostas estão no caminho da iluminação
Em uma outra dimensão
Mais um dia chegarei lá
Para encontrar o meu lugar


Mayra Lima

Simplesmente amor


Um anjo caído
Um presságio de morte.
Doces condolências a mim investidas.
Amarga derrota de um ser tão fraco como o vento,
tão simples como a Lua,
e tão denso quanto o sangue.
Mentiras e trapaças.
Unidas e trocadas.
Todas em uma só forma: o amor.
Que rega com lágrimas minhas humildes flores.
Que gela minha alma com um sopro de desespero.
Amor que corroi, que me engana.
Amor duentio;
simplesmente, amor.

Carla Kindermann

Ela só queria ser normal


Quatorze anos. Uma vida conturbada, cheia de brigas e sonhos, nada mais que isso. Lana queria ser uma garota normal, mas ninguém sabia de seus problemas, ela não tinha ninguém para desabafar.
Quatorze anos. Vários segredos, e uma tatuagem nas costas. A preocupação estava tomando conta de Lana. Afinal, tinha saído tudo errado, todos os seus planos. Logo Juan descobriria o desfalque que ela havia dado, e Lana sabia que naquele meio, não havia perdão. Pela manhã estaria morta, essa era a única certeza que podia ter.
Sua mãe, a muito havia lhe abandonado, graças aos surtos que tinha. Seu pai, morto a três anos, era o único com quem a pobre menina um dia pode contar. Estava ali, sozinha, sentada no banco daquele parque vazio, a não ser pelos pombos que vinham atrás de migalhas e farelos. O vento frio do outono soprava lento. Parecia entristecer mais ainda o local. As folhas secas rolavam no asfalto cinza. Cinza como o céu.
Eram cinco da tarde, e Lana não sabia o que fazer. Tinha assinado a sua sentença de morte. Se ao menos pudesse voltar ao passado e reparar tudo isso. Mas não. Essa é a dura e fria realidade, e Lana, mais que ninguém, sabia que a vida gostava de pregar peças. Mas agora era diferente, muito diferente. Ela havia traído o único homem que lhe estendeu a mão, que lhe acolheu sem fazer perguntas.
Há dois anos, Juan juntou das ruas frias de Londres, uma pequena garotinha, quase morta, e a levou para sua casa. Era um dos invernos mais frios dos últimos anos. A neve caía forte, e Juan colocou a menina perto da lareira, e lhe deu tudo o que precisava. Ele a criou como uma filha, e confiava sua vida e ela. Mal sabia ele, que essa menina hoje lhe traia.
Cinco e meia da tarde. Nenhuma idéia. Nada. Nada! Fugir? Fugir pra onde? Além do mais, não levaria muito tempo para que os homens de Juan a achassem. O dia já estava indo embora. Pense. Pense. Nada. Será que eles fariam com ela o mesmo que fazem com todos? Ou será inda pior? Lana não tinha certeza de mais nada. Só lhe restava esperar. E se ela procurasse Juan, para lhe contar tudo, e tentar explicar? Mas isso é muito perigoso. Juan é um homem sério, de poucas palavras e nenhum sorriso. Um homem sem medo de fazer “o que deve ser feito”. E Lana tinha medo que a raiva o fizesse se vingar ali mesmo, com as próprias mãos.
Seis horas. Uma mãe e sua filha passam rindo pelo parque, com sacolas de compras e um bolo na mão, provavelmente um bolo de aniversário. Pessoas normais, pensava Lana. Ela daria tudo para estar no lugar daquela menina. Tudo.
Às vezes, Lana pensava em Deus, e se ele realmente existia. Uma vez chegou a rezar, mas como a resposta não veio, ela pensou que Deus deveria ouvir somente os bonzinhos, ou talvez as crianças puras. Lana não era uma criança pura. Aliás, sua tatuagem nas costas era uma prova disso. Um ano atrás, ao cometer seu primeiro grande golpe, foi iniciada no grupo, com a tatuagem de uma serpente, a qual exibiu com muito orgulho, até hoje. Hoje. O dia em que ela havia traído a si mesma, se deixando levar pelo desejo de ter mais, cada vez mais. Mas isso lhe custaria caro, muito caro.
Seis e meia. Juan já deve ter descoberto tudo. Já é quase noite. Pra onde ela vai? Onde pode se esconder? Ela não conhece ninguém. Começa a andar, tentando pensar em algo. Está frio. Ela para pra tomar um chocolate quente. Nada. Ela não consegue pensar em nada.
Quatorze anos. Perdida no mundo. Olhar amedrontado. Ela sabe que a hora já está quase chegando. Sai da lanchonete aflita. Já passam das sete. Está escuro, era um dia nublado. Lana anda, sem rumo, sem saber pra onde ir, onde estará segura. Está mais frio agora, seu casaco parece não a esquentar. Ela treme, mas não é o frio que está causando isso. Ela anda, anda, anda.
Oito horas. Lojas fechadas. Ruas desertas. Lana ali, sozinha. Ou melhor, quase sozinha. Um carro vira a esquina, aumenta a velocidade. Ela corre, o carro também. Ela entra em uma rua estreita. Dois homens saem do carro. Ela corre, está sem fôlego. Eles a seguem. Tiros. Tiros.
Quatorze anos. Cabelos vermelhos. Pele pálida. Morta.
Carla Kindermann